A Antiga Sabedoria do Tao

Por volta do século VI antes de Cristo, quando a dinastia Chou chegara ao fim, o filósofo e historiador real Lao-Tsé decidiu pedir dispensa de seus serviços e dar início a uma jornada em direção ao ocidente. Montado na garupa de um búfalo, o velho sábio seguiu pelas montanhas e, ao chegar à fronteira, resolveu ali permanecer por algum tempo a fim de descansar. Um dos guardiões da fronteira reconheceu o homem e, humildemente, pediu que lhe ensinasse sua sabedoria. Antes de partir em sua jornada, Lao-Tsé resolveu atender ao pedido do jovem oficial, deixando-lhe de lembrança o Tao Te Ching, livro do caminho e da virtude, que reúne diversos ensinamentos em 81 aforismos de grande profundidade. Juntos, esses pequenos textos formaram o alicerce da filosofia e tradição chinesa conhecida como taoísmo.

Apesar de o taoísmo ter sido desenvolvido no campo filosófico e de ter influenciado a vida social e cultural chinesa, tempos depois seus princípios acabaram sendo incorporados a práticas religiosas, o que deu origem a uma religião taoísta que perdura até os dias de hoje. No entanto, o aspecto religioso difere muito da filosofia em si, pois inclui adoração a divindades, culto aos ancestrais e magia. Além disso, o taoísmo também serviu de influência para outras tradições como o budismo na China e o zen-budismo no Japão.

Cada máxima ou sentença do Tao Te Ching contém ensinamentos morais, éticos e políticos que servem até hoje como preceitos que levam o indivíduo a alcançar o Tao ou caminho. Essa palavra – Tao – pode ser compreendida como a busca pela integração, o caminho em direção a comunhão com os outros, com a natureza e com o próprio eu. Significa retornar à fonte, à origem de todas as coisas e todos os seres. E para alcançar o caminho, o indivíduo deve praticar o chamado wu-wei ou a não-ação. Deve “esvaziar-se de toda intenção baseada em preconceitos e tornar-se bondoso e natural, como a água que flui no vale”.

wu-wei pode ser visto pelos ocidentais como passividade, mas não é esse seu real significado. Ele é o entendimento do movimento natural das coisas. É a compreensão da integração entre os opostos, o Yin e o Yang simbolizados no ideograma do Tao. Todas as coisas que se manifestam no universo apresentam a dualidade do Yin-Yang. Enquanto um representa o princípio feminino, a passividade e a noite, o outro representa o princípio masculino, a atividade e a luz do dia. Encontrar o caminho através da não-ação é entender que sempre existirá transformação de um estado para outro, num fluir contínuo e eterno. Praticar a não-ação é aceitar o fluxo do universo, permitindo que se tenha a percepção de que noite e dia, céu e terra, homem e natureza fazem parte de uma coisa só. Os opostos são a manifestação de uma mesma causa original.

Atingir o estado de wu-wei necessário para se trilhar o caminho depende de três tesouros fundamentais: humildade, simplicidade e compaixão. Por causa da cobiça, ganância e individualidade, o homem abandona os tesouros e se afasta do Tao, desmanchando seu equilíbrio e acabando com a harmonia do universo. A elevação do homem só ocorre quando ele reconhece que é apenas mais uma manifestação dentre tantas expressas pelas transformações do Tao.

 

~ by dineyinsights on May 18, 2014.

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