Bom, resumidamente algumas passagens da vida do budda

Com a ajuda de seu fiel cocheiro Chana. Ambos deixaram o palácio e partiram para o Oriente, ao se distanciar na floresta, Sidharta entregou seus pertences, o cavalo e suas vestes para o servo, ele também cortou os cabelos, então mandou o servo ir embora. Nessa hora apareceu um asceta o qual segundo algumas versões, foi enviado pelos deuses para auxiliar o príncipe naquele momento. O asceta lhe entregou as três peças do traje amarelo (o traje de um monge): o cinto, a navalha, a tigela para esmolas, a agulha e a peneira para filtrar a água. O monge lhe dissera que Sidharta deveria pedir esmola para sobreviver, nunca ofender aqueles que recusassem em ajudá-lo, pedir apenas o suficiente para se sustentar, e nem enganar os outros, se valendo de quem fosse generoso. A navalha lhe serviria para raspar a cabeça e a barba, a agulha para remendar suas vestes.

Gautama vestido com traje de monges, prepara-se para cortar seus cabelos. Chana carrega nos braços as vestes reais e joias do príncipe.
Assim, o príncipe passou inicialmente sete dias em profunda solidão, vagando pela floresta, até que decidiu procurar os ascetas que viviam na floresta, lá ele conheceu a rotina de orações, jejuns e abstinências feitas pelos monges, contudo estes lhe disseram que os sábios mestres viviam nas montanhas, e que eles poderiam ajudar Sidharta a encontrar as respostas para suas perguntas.Ele passou os seis anos seguintes, treinando e aprendendo com os mestres, praticando orações, jejuns e a mortificação e outras atividades próprias dos monges. Contudo após estes seis anos, o monge concluiu que ainda não havia aprendido o que deveria aprender para se tornar o Buda. Para que isso vinhe-se acontecer ele teria que alcançar o Bodhi (“a Verdade”). Então ele deixou as montanhas e seguiu viagem novamente. Num dia, Gautama avistou uma árvore e decidiu que seria naquele local que meditaria até alcançar obodhi, ele só sairia dali quando se tornasse Buda. Contudo o monge teria um último grande desafio a enfrentar, o demônio Mara, o qual estava associado ao pecado e a morte. O qual queria impedir que Sidharta se torna-se o Buda.

Pintura retratando Gautama meditando para alcançar o Bodhi, enquanto o demônio Mara liderava seu exército para atacá-lo.
Mara num dia anterior sonhou que seria derrotado pelo monge, que nem mesmo o seu grandioso exército com milhares de feras, gigantes e demônios seriam capazes de derrotar um simples homem, contudo ele não desistiu mesmo assim, e na noite seguinte atacou o monge. Ele levou consigo, seu exército de temíveis guerreiros, feras, gigantes e demônios; flechas flamejantes foram atiradas contra o monge que meditava sob a árvore, porém ao chegarem próximo a ele, as flechas se transformavam em flores; o deus tentou que o medo fizesse Sidharta desistir de sua busca, então enviou suas temíveis criaturas para tentar espantá-lo, mas o monge não se retirou; depois o deus conjurou uma enorme mesa, farta em comida, tentando a rendição ao quebrar o jejum de Sidharta, mas isso também não adiantou.

Sidharta sendo ameaçado pelos demônios de Mara, e tentando pelas mulheres.

Por fim, Mara enviou suas filhas que tentam seduzir o monge, com música, cantoria e danças, porém Sidharta olha para elas e lhe aponta o dedo, dizendo que não passavam de ilusões, então as belas mulheres se revelam como velhas decrépitas. O exército de Mara entra em confusão e foge, o próprio demônio acaba desistindo.

“Só e imóvel sob a árvore, Sidharta vê suas infinitas encarnações anteriores e as de todas as criaturas; abarca com um golpe de vista os inumeráveis mundos do universo, depois, a concatenação de todas as causas e efeitos. Intui ao amanhecer as quatro verdades sagradas. Já não é o príncipe Sidharta, é o Buda”. (BORGES, 1977, p. 14).
Aos 36 anos Gautama alcançou a iluminação, tornando-se o Buda.
“Sete dias mais permaneceu Buda sob a árvore sagrada. Os deuses o alimentam, o vestem, queimam incenso, cobrem-no de flores e o adoram. Chove, e um rei das serpentes, um naga, se enrosca sete vezes em torno do corpo do Buda e forma um teto com suas sete cabeças”. (BORGES, 1977, p. 15).
Um naga protege Buda da chuva.
Os nagas eram serpentes mitológicas que viviam sob a terra, porém nem todos era maus. No oitavo dia, o naga se transformou num brâmane (casta dos sacerdotes) e disse que protegeu Buda do frio e da chuva, Buda agradeceu ao brâmane e depois este se converteu ao Budismo. Depois do sacerdote, um deus e outras divindades também se converteram ao budismo, então o próprio Criador do Universo, Brahma desceu dos céus com seu cortejo e dissera para Buda que era chegada a hora de iniciar sua pregação para salvar os homens.

Templo Mahabodhi, Bodhgaya na Índia. Local segundo a a tradição budista fica a árvore no qual Gautama alcançou o nirvana e o bodhi, tornando-se Buda.

Buda passaria os próximos 44 anos viajando pela Índia em pregação. Sobre isso não relatarei devido a extensão dos fatos que envolvem seus vários anos de pregação, contudo citarei mais três fato importantes. Primeiro, ao retornar para Kapilavastu, Buda reencontrara o seu pai, sua esposa e seu filhoRahula. Sua família e a Corte se tornaram seus discípulos, mas foi neste momento que Buda encontraria um traidor.

Buda reencontra seu filho e familiares.
Como na história de Jesus Cristo, onde Judas Iscariote traiu Jesus e os apóstolos, Buda também foi traído. O seu primo e discípulo Devadata, cobiçava o posto do Buda, este possuía muita inveja do primo, então pactuou com o príncipe Magadha para assassinar o Buda.

Devadata planeja com Magadha, matar o Buda.

O príncipe enviou 16 arqueiros para matá-lo, mas quando estes se deparam com ele, sua virtude, sua paz, sua alegria e seu amor, fizeram os homens desistirem de matá-lo. Diz-se que os arqueiros largaram as armas e saíram correndo, de tamanha vergonha. Devadata não desistiu, então enviou um elefante ou vários elefantes furiosos para atacá-lo, porém os animais acabaram se ajoelhando diante de Buda. O mesmo tentou outras vezes matar o Iluminado, mas como todas falharam, Devadata acabou sendo tragado por uma fenda e caiu no Inferno onde foi punido por seus pecados. Buda dissera que a inimizade de Devadata advêm de vidas passadas, quando Buda o ajudou, porém ele foi ingrato com esta ajuda, e nunca o perdoou.

Com seus oitenta anos, o deus Mara retornou para persuadir mais uma vez o Buda de desistir de sua pregação, ele diz que o Buda já conseguira muitos discípulos, e conseguiu transmitir seus ensinamentos. Buda em sua gentileza e tranquilidade, disse para que Mara não se preocupa-se, em três meses ele morreria. Mara e outras divindades ficaram alarmados com o que ouviram, já que de acordo com algumas lendas, Buda poderia viver milhares de anos, na verdade ele seria quase imortal.Porém Buda, decidiu antecipar sua morte, concebendo o fato de que estava na hora de ele partir, afinal, como o seu cocheiro havia lhe dito há vários anos: “tudo que nasce, morrerá um dia”. Então ele decidiu que sua missão estava completa, ele ensinou o que tinha que ensinar, e era hora de partir, para se libertar da samsara (o ciclo das reencarnações). Quando se alcança-se tal estado, passaria-se a viver nos céus, sem a necessidade de reencarnar na Terra novamente por obrigação. Embora que Buda poderia escolher por sua vontade reencarnar.

Três meses se passaram, Buda, deixara que o peso da velhice lhe acomete-se, então quando estava em visita a cidade de Kusinara, dizem as versões antigas, que o filho de um ferreiro lhe ofereceu um pedaço de porco salgado ou uma trufa, Buda comeu, e começou a se sentir mal, ele já sabia que isso ocorreria, então ele reuniu seu discípulos que estavam por ali, e disse-lhes que logo morreria, todos ficaram alarmados, contudo Buda explicou seus motivos, e depois deixou suas últimas mensagens e ensinamentos. Ele se encontrava sentado debaixo de duas árvores, ao entardecer. Antes de morrer, Buda disse raque futuras discórdias surgiriam, e os homens deveriam enfrentá-las através da fé. Então ele se deitou sobre o lado direito do corpo, enquanto sua cabeça ficava voltada para o Norte, enquanto contemplava o poente. No cair da noite, Buda já estava morto, as árvores floresceram naquele momento, o espírito iluminado havia deixado este corpo e este mundo.

A desencarnação de Buda.
“O cadáver é queimado nas portas da cidade, enquanto se celebram ritos solenes dignos de um grande rei, rei que Sidharta não quis ser. […]. Os restos são divididos em três partes: uma para os deuses, que a guardam em túmulos celestiais; outra para os nagas, que a guardam em túmulos subterrâneos; outras para oito reis, que edificam na terra oito monumentos, aos quais acorrerão gerações de peregrinos”. (BORGES, 1977, p. 30).

~ by dineyinsights on February 27, 2014.

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